O breakeven point entre ensino à distância e ensino em presença *** Giuseppe Mosello

5 Sep

 

O Break Even Point (BEP) é o ponto de equilíbrio que em economia representa o momento no qual a venda de um produto cobre os custos. Além do BEP, começa o ganho. Transportando este conceito no nosso argumento tentamos neste artigo descobrir o BEP entre ensino à distância e ensino presencial. Ou seja, a partir de qual fator vale a pena (ganho) realizar um curso e-learning ao invés de um curso presencial.

Existem dois fatores que norteiam a escolha entre um curso presencial e um curso e-learning: o fator didático e o fator econômico. O fator didático consiste em conhecer o que podemos realmente ensinar à distância e o que seria oportuno ensinar em presença.

Do ponto de vista didático precisamos considerar que o avançar da tecnologia sobre rede, nos consentiu de progredir muito.

Uma das principais desconfianças sobre a eficácia didática do e-learning sempre foi relativa aos cursos de caráter comportamental. Cursos nos quais preciso reproduzir ou simular um comportamento, uma habilidade ou uma emoção. Nestes casos, o aluno tem a necessidade de ver representadas e dramatizadas por outras pessoas comportamentos e emoções e precisa compartilhar o que aprendeu. Até alguns anos atrás transformar um curso comportamental com estas exigências em e-learning mantendo a eficácia didática, era muito difícil. Hoje com uma maior banda à disposição é possível desenvolver e-learning com vídeo, áudio, imagens e animações que dão suporte a uma explicação e que podem viajar sem problema através da rede.

Alem disso, com as ferramentas de comunicação disponíveis como videoconferência, fórum, chat é possível também realizar sessões de avaliação e de colaboração on-line, além de montar percursos de “social learning”. Sobram, todavia alguns casos nos quais o ensino presencial torna-se a escolha melhor:

  • Para intervenções que requerem uma dialética política. Mesmo se com o uso das videoconferências é possível uma boa comunicação síncrona, não é conveniente substituir um encontro em presença com um virtual, onde o contato com o colaborador seja importante tanto quanto o conteúdo da lição. São estes os casos onde conta o papo informal após a lição, onde é importante ler entre as linhas e perceber o feedback indireto de cada colaborador.
  • Quando é preciso avaliar o “saber ser” de um estudante. É possível com o uso do multimídia e com o uso das aulas virtuais, ocupar-se também de tópicos inerentes o “saber ser”. Por exemplo, podemos ter cursos sobre o comportamento sob pressão. Nestes casos usando os vídeos fica fácil mostrar determinados tipos de comportamento. Mas, mesmo usando videoconferências, avaliar a fisionômica da pessoa durante um exercício é mais complexo. Quando preciso avaliar a reação de uma pessoa e o seu comportamento uma videoconferência não é suficiente e a presença torna-se indispensável.

 

Do ponto de vista econômico é agora notório o fato que o e-learning represente uma economia nos investimentos de treinamento. Todavia não é sempre claro a partir de que número de usuários o e-learning torna-se economicamente conveniente.

Para citar a literatura podemos dizer que a Brandon Hall, uma das maiores empresas privadas que conduz pesquisas autônomas sobre o e-learning relevou que em um arco temporal de três anos os custos do treinamento e-learning tiveram um trend descendente.

 

Alem disso, durante o período considerado pela pesquisa conduzida pela Brandon-Hall, os custos do treinamento presencial superaram de sete vezes aquele do e-learning. Um dos fatores que mais incide na escolha do e-learning do ponto de vista econômico, é representado pelos custos de transporte. Especialmente para realidades que têm funcionários disseminados em um amplo território nacional ou até internacional.

Nestes casos o e-learning é sempre conveniente economicamente.

 

Na Learnway realizamos uma pesquisa para estabelecer o break even point econômico entre um treinamento presencial e um e-learning ambos realizados sob demanda e sem considerar o fator transporte, ou seja para realidades que têm funcionários centralizados e sem necessidade de mobilidade para treinamento.

Nestes casos calculamos que o BEP anual entre e-learning e ensino presencial está próximos dos 150 alunos por ano.

(Fonte Learnway – 2012)

 

Ou seja, se preciso treinar mais de 150 alunos por ano sobre um determinado tema, independentemente da distribuição física dos alunos, convém realizar e ministrar um curso e-learning.

 

Neste calculo consideramos os custos de um curso presencial quais:

  • Aula
  • Material didático
  • Instrutor
  • Fator de não produtividade
  • Desenvolvimento do curso

 

E os custos de um curso e-learning

  • LMS
  • Rede
  • Instrutor
  • Fator de não produtividade
  • Desenvolvimento do curso

 

No cálculo do BEP foi determinante o Fator de não produtividade. De fato o tempo que o colaborador dedica ao treinamento é um custo a ser considerado. No e-learning este tempo é muito menor e melhor distribuído. Portanto o seu impacto econômico é notável.

Este cálculo vale para os e-learning realizado sob demanda e não para os e-learning de prateleira.

O e-learning de prateleira diferentemente do e-learning realizado sob demanda é disponível por acessos. Ou seja, o e-learning sob demanda é pago uma vez só e a propriedade é da empresa que pagou. O e-learning de prateleira é de propriedade da empresa que o desenvolveu. O cliente paga o acesso por pessoa.

Neste caso o BEP deve ser calculado com base no custo do acesso por pessoa praticado.

Mas quando vale a pena comprar o acesso de um e-learning e quando é melhor desenvolve-lo sob medida? A escolha entre desenvolver um e-learning sob medida ou comprar o acesso de um e-learning de prateleira é uma variável que incide de maneira determinante sobre os custos finais do treinamento e sobre o alcance do objetivo final.

Para efetuar uma escolha correta neste sentido, é necessário conhecer o que o mercado oferece em termos de e-learning de prateleira. Cada empresa que realiza e-learning de prateleira visa vender um grande número de cópias destes cursos. Por isso é razoável pensar que encontraremos entre os cursos de prateleira, títulos inerentes argumentos de interesse geral como: Informática, Idiomas, legislação, qualidade, entre outros.

Estes cursos, sendo realizados por um público não específico, nem sempre podem ser totalmente aderentes às nossas exigências. Todavia se estes cursos fazem parte de um percurso de treinamento onde seja prevista também uma aula presencial ou virtual, é possível complementar ou contextualizar os argumentos tratados através da intervenção direta do tutor.Em geral para escolher entre a aquisição de um curso de prateleira e o desenvolvimento de um e-learning “ad hoc” é necessário considerar a exigência de personalização que temos e o número de participantes que prevemos.

Quando mais alta é a exigência de personalização mais é valida a ideia do desenvolvimento “ad hoc”. Quanto mais é baixa, convém adquirir cursos de prateleira.

Por outro lado, é necessário considerar que o curso de prateleira representa geralmente um custo mensal por cada participante ou sessão enquanto o curso “ad hoc” representa um investimento inicial sem acréscimos mensais e independente do número de participantes. Por isso se mais alto o número de participantes, convém o desenvolvimento “ad hoc”.

 

É preciso prestar muita atenção na aquisição de um curso de prateleira ou na encomenda de um curso sob demanda, porque muitas vezes encontram-se produtos de péssima qualidade seja do ponto de vista didático que comunicativo.

 

Aí vão algumas dicas para avaliar a qualidade de um e-learning.

Um bom e-learning deve:

  • Ser baseado em uma metodologia didática explicada e apresentada pelo fabricante;
  • Ter constantes momentos de interação motora e didática;
  • Ter mecanismos de fixação dos conceitos;
  • Ter numerosos mecanismos de retorno (feedback);
  • Comunicar uma sensação de desafio que não seja frustrante, mas nem tão simples de aborrecer o aluno;
  • Usar oportunamente os recursos gráficos e multimídia para cativar a atenção do aluno sem representar elemento de distúrbio do aprendizado;
  • Fornecer ferramentas focadas no objetivo do curso e no estudo do aluno;
  • Conter uma guia ao uso da navegação;
  • Conter uma guia ao estudo com sugestões para o melhor aproveitamento do curso.

Estas características podem guiar tanto a aquisição de um curso de prateleira, quanto o desenvolvimento de um curso “ad hoc“.

 

Para ajudar as empresas nestas escolhas a Learnway têm serviços de consultoria que calculam o Break Even Point entre ensino a distância e presencial da Empresa e um serviço chamado “Make Or Buy Analysis” que ajuda as empresas na escolha de bons cursos de prateleira realizando uma pesquisa a nível nacional e internacional sobre os títulos disponíveis e sobre a respondência destes às exigências de treinamento identificadas na empresa.

 

***Giuseppe Mosello é italiano de formação Humanística com foco em Sociologia e Ciência da Comunicação, trabalhou durante 20 anos em empresas de TI na Europa e nos EUA. No Brasil desde 2005, fundou a Learnway e criou a Cidade Virtual: a primeira rede corporativa do Brasil. Mais informações no site: http://redessociaiscorporativas.blogspot.com/

 

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